segunda-feira, 3 de agosto de 2009

SANGUE NEGRO QUE ESCORRE EM PAPEL IMPRESSO


Passe teus dedos pelas minhas páginas. Leia-me.
Releia-me e conte minha história a quem te aprouver.
Absorva o que de belo e inexprimível há em mim,
E faça de cada palavra minha teu hino e teu louvor,
Pois, antes de ser página e papel,
Fui carne, sangue e fervor,
Antes de ser letra, vírgula, exclamação,
Fui tua pele na minha pele,
Fui teu corpo no meu corpo,
Fui tua dúvida, fui teu delírio,
Fui teu descanso, tua religião.
Deixa-me à cabeceira para lembrar-te, antes de dormir,
Que tens necessidade do meu contato
E da sensação que te permito alcançar quando fecha os olhos
E despede-te da realidade que te assusta.
Acorda comigo ao teu lado,
E deixa-me suavizar teus dias de cansaço de ti mesmo,
Pois eu sei que choras,
E é sobre minhas páginas que escorrem tuas lágrimas,
É em minhas mãos que esconde teu rosto
Quando a vida é insuportável e tu querias apenas poder respirar.
É em meu colo que descansas a mente
É em meu colo,
E apenas em meu colo,
Que consegues simplesmente viver.








.


Cheers!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

CONVERSAS DE TRAVESSEIRO



Capítulo I
- Fecha os olhos e dorme logo!
- Não... Vou sentir saudades de você...

Capítulo II
- E aí eu falei pra ela que eu não ia fazer aquilo, não fazia sentido, entende?
- ...
- Amor?

Capítulo III

- Estou com dor de cabeça...

Capítulo IV

- Acho que eu ouvi um barulho...

- Hm?
- Eu disse que ouvi um barulho.
- São os móveis rangendo... Dorme logo...

- Não! Tem alguma coisa aqui. Acho que é uma barata. Mata ela pra mim?

Capítulo V

- Hm...
- Putz!
- Bem? Onde é que você tava?
- Ahn... Tava no bar com uns amigos...
- Ah... Eu juro que eu tava te esperando... mas deu sono, rss...
- Rss... Pode voltar a dormir...

Capítulo VI
- Amor?
- Hm?

- Já te falei que eu te amo?
- Hm? Já... Você vive falando isso...

- Ah. É que eu não quero pensar que eu deixei alguma coisa por fazer só por falta de tempo, sabe?

- Hm... Eu também te amo. Posso dormir agora?


Capítulo VII

- Amor...
- O que você quer?
- Ah... Só quero dizer que te amo...

- Ahn... Também te amo...


Capítulo VIII

- Alô?
- Ahn.... Alô... Quem é?
- Sou eu, amor!

- Putz... São duas horas da manhã...
- Ah! Desculpa, você tava dormindo?

Capítulo IX

- ...
- ...
- ...
- ...
- Não vai me beijar?
- Tava esperando você tocar no assunto, hehe...

Capítulo X
- Alô?
- Oi...

- É você? Nossa... Há quanto tempo...
- É... Acho que a gente tinha que se ver...
- Será que dessa vez dá certo?
- Sei lá. Mas vamos curtir um pouco, né?

Capítulo XI

- Eu vou querer ir na montanha russa, sempre gostei da montanha russa.

- ...
- Que foi?
- Nada não... É que você parece sempre uma menininha...

Capítulo XII
- Vamos passar as férias na praia...
- Hehe...
- O que quer dizer "hehe"?
- Hm... Quer dizer "hehe, prepare-se". Posso apagar a luz?



Ps.: Conversas de Travesseiro, apesar da estrutura em capítulos, não é contínuo. Cada capítulo é um flash isolado retratando diálogos de casais.

Nem lembro quando ou por quê inventei, mas achei bonitinho... *.*




Cheers to the loneliness... u.u

quarta-feira, 27 de maio de 2009

RETICÊNCIAS...

Estou em um momento de reticências. Faculdade, formatura, auto-escola, cursos, trabalho, provas, amigos, projetos... Não tenho tido muito tempo para mim.

Além disso, tenho ocupado os momentos que me restam escrevendo "Do Silêncio".

Mais detalhes a posteriori.

ps.: quero fazer um blog novo... u.u

time... time... time...

domingo, 5 de abril de 2009

ESSENCIAL

Sua sensibilidade não era nada além de solidão.

Sem a solidão, deixava de ser ela mesma
E passava a ser qualquer coisa ao avesso de si.

Amá-la era a forma mais fácil de afastá-la,
Amá-la era destrui-la,
Amá-la era querer vê-la partir
E parti-la em milhões de pedaços
Sem solução.

quarta-feira, 18 de março de 2009

FELICIDADE


Felicidade é uma coisa rara,
É um pedaço de papel crepom,
Uma caneta que às vezes falha,
Uma lembrança de um tempo bom.

Felicidade, duvidei se existe,
Tantas vezes triste, a me questionar,
Fiquei buscando em tudo que consiste
Em doce mistério para desvendar

Uma só palavra, uma doce - ao menos -
Que levasse o medo de me aventurar
Por tantos caminhos, nunca tão amenos,
Que não arrisque a vida a se acabar.

Mas tantas vezes quieta, tantas vezes louca,
Com meu escudo a me defender,
Afastei-me da felicidade,
Que tantas vezes tentou me entreter.

Hoje escrevo com caneta falha,
Busco o suspiro pra sobreviver
N'alguma amena alegria d'alma
Que meu peito frágil não vá derreter.

Sei que ela existe, em algum lugar,
Sei que é colorida, e que é furta-cor,
Sei que me arrependo de me esquivar,
Sei que fujo dela, com medo da dor.

Mas eu me pergunto - e guardo em segredo:
Onde fica a dor da felicidade?
Hoje creio que ela está no medo
De me ver diante da verdade

E a encarar, com todas minhas fraquezas
E de perceber, ao chegar ao fim,
Que felicidade e todas as belezas,
Dependem sempre, e muito mais, de mim.





Cheers!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

PROFUNDAMENTE

Toda vez que te vejo,
Eu me apaixono pelas minhas mentiras.
Toda vez que encontro com você,
É como a despedida de alguém
Que nunca esteve aqui.
Toda vez que me distraio com o seu sorriso
É como se me escorresse
gota
a
gota
Todo meu sangue.
Me sinto vazia,
Mas, ainda sim, me sinto feliz.
Toda vez que te abandono,
A saliva se faz corrosiva em minha boca,
Dissolve minha voz em soluço,
Dissolve o meu grito em medo.
Toda vez que roço de leve sua existência,
Inexisto em mim,
E passo a existir completamente em você.





...And, today, cheers to our pretty, deep and inexistent love...

VOCÊ ME TIRA A PAZ


Você me deixa atrás
E só me tira a paz
Você me faz ciúmes
Mas me satisfaz,
Você me faz brinquedo
E nos faz segredo
Você se faz meu medo
E então se desfaz
E se refaz num mito
E me destrói num grito
É um coração aflito
E só me tira a paz.


Cheers!

COMPLETUDE


Duas folhas ao chão disseram
Que eu sou metade,
E sou metade pois metade
Do que sou, em mim
Não faria tanto estrago
Quanto faço, enfim,
Pois me confundo em passos débeis,
Em covas rasas,
Em verdades e mentiras
E dilemas e histórias
(Mal-enterradas) de fim.

Dois pássaros ao céu disseram
Que sou inteira,
E que sou perfeita no que sei ser
Mesmo que não seja completa, enfim,
Mesmo que seja apenas pedaço de perfeição roubada
De um querubim.
Serei inteira mesmo assim,
Pedaço inteiro do que sobrou de mim.
A incompletude do que não tem fim,
O completamente nem bom nem ruim.


Cheers!

Amanhecer

O amanhecer se faz em mim
A cada suave 'bom-dia'
Do povo alegre, na correria.
O amanhecer se faz em mim
Em cada página corrompida
Por um riso surdo, explosivo,
Em cada olhar de entendimento,
A compreensão e a alegria.
O amanhecer se faz em mim
Em cada tarde passada na grama,
Com amigos, músicas, um violão.
E, nessa hora, o amanhecer se faz canção.

Quem dera todos amanheceres
Fossem largas tardes de domingo,
O sol, a vida sorrindo,
Quem dera toda grama fosse canção.
Onde eu buscasse o mi, o dó, o lá,
Onde eu achasse o tom para me aconchegar,
Onde eu fizesse da dúvida a afirmação
E quem dera todas horas de despedida,
Fossem apenas um entardecer sereno,
Um repouso para um novo dia.
Um repouso para um novo fá,
Sol, lá, si, dó, ré, mi.
Quem dera se o amanhecer
Não entardecesse enfim.

Não sei quem sou ou para onde vou,
Mas tenho plena certeza de onde quero estar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A queda


Nunca disse que seria fácil. 
Você correu e perdeu o rumo, 
Buscou em pegadas marcadas 
A força de não ser diferente. 
Errou, perdeu - eu sei, 
No seu coração acaba sempre 
Sendo bem maior, bem mais sangue, 
Mais furor e loucura do que um dia, 
Em seu vazio, desejou ser. 

Você construiu suas falhas e sua arrogância, 
Sua devoção ao nada, ao que escorre pelas mãos. 
Por que não plantou sua semente?  

Desmanche.  

O mundo não é o que sonhou.  

Desmanche.  

Você errou, você chorou, 
E não podia destruir a sua máscara. 

Despedaçou...  

Anseie, anseie, grite, seja, faça, corra,  

Seja,  

Desmanche.  

E na intensidade de seu delírio 
Encontre-se onde ninguém jamais buscou.  



[T. Phoenix, 24 de Novembro de 2008]